XXXVIIIº Festival de Folclore
XXXVIIIº Festival de Folclore


38º Festival de Folclore de Glória do Ribatejo

 

Quando apreciamos um grupo de folclore num qualquer espetáculo, tudo nos parece muito fácil, pois, em apenas 15 ou 20 minutos, vemos desfilar um conjunto harmonioso, caraterizado e entrosado,  transmitindo  uma mensagem que, a ser correta, consistirá num pequeno retalho da história duma nação, riquíssima em matéria de tradições populares.

Esse serviço público prestado pelos grupos de folclore, de forma voluntariosa e dedicada, tem por trás uma história incontável de trabalho, preocupações, motivação, adaptação às circunstâncias, enfim, uma entrega que “não se paga com dinheiro nenhum”, como diz o povo.

Hoje, mais do que nunca, é difícil manter um grupo de folclore com a qualidade devida. São muitas as contrariedades que assaltam os grupos, de norte a sul do país: ora o desemprego, ora as imensas horas de trabalho, ora os turnos, não falando nos jovens que vão estudar “de farnel aviado”, ou naqueles que emigram à procura de dias melhores…não esquecendo, obviamente, os recursos materiais, que escasseiam cada vez mais. No sentido de contrariar a tendência, é necessária argúcia, alguma capacidade de antever os problemas e desencadear formas de os combater com muita antecipação. É desta forma que trabalham os grupos que continuam a evoluir na sua caminhada: persistem em continuar a fazer pesquisa (onde isso ainda é possível), a levar por diante escolas de folclore, a dinamizar planos de atividades extensos e exigentes, a subsidiar de várias maneiras os próprios grupos, a nunca desmoralizar, porque são conscienciosos e comungam duma certeza – a riqueza duma nação está naquilo que a diferencia das outras e a distingue enquanto identidade.

Não fosse o facto de os grupos e associações desempenharem também um papel relevante em termos sociais, estas seriam razões mais do que suficientes para que estes coletivos fossem cuidados de uma forma especial, pois o saber e o conhecimento que um grupo de folclore compila ao longo da sua existência – o património intangível da nação – têm um valor inestimável.

Aí estamos nós, de novo, a realizar mais um festival de folclore – o 38º - levando à prática uma programação que consiste no ponto alto do plano anual de atividades. Subordinado ao tema “O Traje”, este foi um ano em que todo o coletivo se debruçou sobre as especificidades do traje gloriano, pois trata-se de uma das temáticas que mais matéria de estudo oferece a quem quiser debruçar-se sobre ela com seriedade. O traje é, na realidade, a marca gloriana mais distintiva e identitária, justificando-se, portanto, nesta altura, um olhar especial, ainda mais atento. Por isso mesmo, vimo-nos forçados, de novo, a andar de porta em porta, esclarecendo dúvidas, procurando outros testemunhos que pudessem enriquecer o conhecimento anterior e daqui resultará uma futura publicação que a Glória reclama, há muito.

Esta é uma prática que entusiasma os elementos, os seus familiares e a própria população, que aguarda sempre com muita expetativa os resultados de cada ano de trabalho. É neste movimento de dar e receber que o Rancho Folclórico da Casa do Povo da Glória sustenta a sua existência, procurando em cada ano que passa, fazer sempre mais e melhor.

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